Falências: Empresas têm até o dia 21 de agosto para aproveitar descontos oferecidos
Banco Santos reduz deságio a devedor (Laura Ignacio, de São Paulo)

As quase 700 empresas que devem à massa falida do Banco Santos têm
até o dia 21 de agosto para aderir ao novo plano de acordos e quitar seus débitos
com um bom deságio. Com a adesão, é suspensa a ação de cobrança. Hoje, para
pagamentos à vista, o desconto oferecido é de 75% - que consta no antigo plano
de acordos. Para pagamentos parcelados, os percentuais variam conforme com o
número de prestações. A partir do dia 21, os deságios caem gradativamente. O
objetivo é evitar que as empresas protelem as ações judiciais o máximo
possível, antes da imposição do pagamento pelo Poder Judiciário, para buscar um
acordo com a massa. A soma das dívidas dos 20 maiores devedores do banco
alcança R$ 1,9 bilhão.
O plano de acordos atual foi homologado em 2006. Ele permite, por
exemplo, deságio de 71% para pagamento em 12 meses e de 68% para pagamento em
24 meses. Além disso, o acordo pode ser proposto em qualquer momento. Entre 21
de agosto e 17 de fevereiro, o pagamento à vista terá deságio de 60%, a
quitação em 12 meses possibilitará 56% de desconto e o pagamento em 24 meses
será beneficiado com redução de 53%. Depois de 18 de fevereiro, o deságio para
pagamento à vista será de 50%, o parcelamento da dívida em 12 meses vai levar a
desconto de 46% e o parcelamento em 24 meses, de 43%.
"Empresas que nunca se imaginava que iriam sentar para
negociar estão nos procurando", afirma Vânio Aguiar, administrador da
massa falida do Banco Santos. Um dos 20 maiores devedores é o Grupo Caoa, com
débito de R$ 188, 3 milhões, segundo Aguiar. Procurado, o advogado do grupo,
Jairo Saddi, disse que, mesmo com as novas condições, não há interesse em uma
composição por parte da empresa. "Não há sentido fazer acordo porque uma
perícia está em discussão", diz. "Temos uma carta de quitação da
dívida do grupo e há títulos do banco relacionados ao grupo, que são
falsos."
Por enquanto, não há acordo fechado pelo novo plano. A proposta
antiga resultou em 27 negociações. Só a AES Eletropaulo fechou um acordo de R$
169 milhões. Os outros 26 injetaram R$ 70,9 milhões no caixa da massa. Com
isso, as ações judiciais sobre contratos de swap cambial firmados entre
dezembro de 2003 e julho de 2004 com a Eletropaulo foram encerradas. Esses
contratos tinham a finalidade de reduzir a exposição cambial da dívida da
distribuidora na época. Hoje, o caixa da massa falida tem um total de R$ 666
milhões. Seu passivo é de aproximadamente R$ 3 bilhões.
O novo plano de acordos vale para os devedores que obtiveram
empréstimos no banco e aplicaram os valores em empresas não financeiras ligadas
ao ex-presidente do banco Edemar Cid Ferreira. Ele havia sido homologado pela
Justiça em março, mas um grupo de credores entrou com recurso. "Alegamos
que esse novo plano de acordos vai incentivar os devedores a protelar ainda
mais as ações na Justiça", diz o advogado que representa esses credores,
Luiz Eugênio Araújo Müller Filho, do escritório Lobo & Ibeas Advogados.
Esse grupo é formado por interessados na formulação de um fundo de
investimentos em direitos creditórios (FIDC) composto pelos créditos da massa
falida. Como a Câmara Especial de Falências do Tribunal de Justiça de São Paulo
(TJSP) indeferiu neste mês o recurso, a massa iniciou a divulgação do novo
plano. Dez de dois mil credores juntaram-se para ajuizar o recurso contra o
novo plano.
Os 15 bancos estrangeiros que travam uma outra discussão na
Justiça, sobre valores recebidos pelo Banco Santos decorrentes de contratos de
câmbio de exportação, também podem aderir ao novo acordo. Decisão do TJSP
ordena a restituição aos bancos estrangeiros em dólar, mas eles decidiram
recorrer. As instituições financeiras querem a conversão de dólar para real, na
data da liquidação do Banco Santos. Em dólares, trata-se de uma discussão de
cerca de US$ 75 milhões. O advogado de alguns desses bancos, Luiz Fernando
Paiva, do escritório Pinheiro Neto Advogados, negou ter recebido qualquer
proposta de acordo por parte da massa.
De acordo com Jorge Queiroz, presidente do comitê de credores do
banco, o novo plano de acordos será positivo para as empresas. Isso porque,
além dos prazos e reduções de descontos, o nova proposta leva em conta o
estágio das ações de cobrança que correm na Justiça. Assim, se o processo for
suspenso na primeira instância, o deságio será maior. "Os devedores
deverão correr para firmar acordo e conseguir um deságio maior", afirma
Queiroz. "Já há negociações em andamento, mas não podemos abrir com quem
são para não interferir no resultado desses acordos", explica. Enquanto
isso, o primeiro rateio entre credores do Banco Santos continua em andamento.
Do total, 416 credores já foram beneficiados, segundo a massa falida. No total,
são 1.969 credores.