Gestora quer
ganhar até 3,5% dos créditos do Banco Santos (Cristine Prestes e Vanessa Adachi, de São Paulo)
Falência: Remuneração variaria de
acordo com volume de créditos recuperados e tempo decorrido
Marisa Cauduro
/ Valor

Ex-banqueiro Edemar
Cid Ferreira: apoio à criação do fundo
Se a idéia de criar um fundo para abrigar os créditos da massa falida do
Banco Santos for adiante, os sócios da Cadence Gestão de Ativos poderão fazer
um bom dinheiro. Pelo trabalho, eles propõe receber uma taxa de administração
que variará de acordo com o volume de dinheiro levantado e o tempo dispendido
na tarefa. A própria empresa estima que poderia receber entre 1,5% e 3,5% de
tudo o que for recuperado. Ninguém arrisca dizer quanto dos créditos pode, de
fato, ser transformado em dinheiro.
A firma de consultoria KPMG foi contratada para avaliar os créditos e os
débitos do Banco Santos. "Eles vão avaliar processualmente todos os
créditos e a real capacidade de pagamento de cada devedor. Com isso, poderíamos
definir a estratégia de cobrança, por onde começar", diz Armando
Marracini, sócio da Cadence.
A ideia começou a ser elaborada no primeiro semestre e, há 60 dias, o
fundo ganhou um esboço, elaborado pelo advogado Paulo Penalva Santos e pelo
escritório de advocacia Rosman, Souza, Leão, Franco e Advogados. Os sócios que
criaram a Cadence vieram da gestora de recursos Vision Brazil Investments e têm
rodagem na gestão de créditos problemáticos. Entre outras coisas, Adamo foi
presidente do MaxBlue, criado pelo Deutsche Bank no Brasil no início da década
para atuar no aconselhamento financeiro e gestão de recursos de pequenos
investidores, ideia que não prosperou.
Os autores da proposta dizem que querem "criar uma solução de
mercado" para o caso da falência do Banco Santos, "alinhando o
interesse" dos credores e o do ex-controlador da instituição.
"Queremos agir em nome dos credores", afirma João Adamo, outro sócio
da empresa. "Muitos clientes do banco tomaram empréstimos e têm de
pagá-los e ponto", completa.
O advogado Ary Azevedo Franco Neto, sócio do escritório Rosman, Souza,
Leão, Franco e Advogados, que participou da elaboração da estrutura jurídica do
fundo, diz que seu grande objetivo é o de criar uma solução de mercado que
garanta maior agilidade no processo de quitação dos débitos do Banco Santos do
que o atual, uma vez que o processo falimentar na Justiça é muito demorado.
Segundo ele, ainda que a proposta inclua os bens de Edemar Cid Ferreira, este
seria apenas um dado adicional. "O ponto mais importante da proposta é a
estrutura de cobrança mais eficaz que ela traz", diz. Ainda assim, Franco
Neto afirma que "a expectativa é a de que Edemar coloque os bens
dele" no fundo.
Procurador pelo Valor, o ex-banqueiro informou, por meio de sua assistente,
que não se manifestaria, principalmente "porque desconhece a proposta de
criação de um fundo". A reportagem apurou, no entanto, que ele não apenas
tem conhecimento da ideia do fundo, que já circula entre as partes interessadas
por conta das apresentação feita pela Cadence, como é favorável à iniciativa.
"Ele está apoiando porque vê na proposta um caminho para que se chegue a
uma solução", diz o advogado Franco Neto. João Adamo diz que já esteve em
contato com o advogado de Edemar algumas vezes e que chegou a se reunir com o
próprio em uma ocasião. De acordo com ele, teria ouvido de Edemar que a
princípio seria favorável a uma solução que acelerasse a recuperação do
dinheiro para todos os credores - inclusive ele.
Se por um lado o fundo oferece uma alternativa mais rápida para a
solução de uma falência bancária, que não leva menos do que dez anos na
Justiça, por outro é controverso. Isso porque ele pode representar a única
forma do ex-controlador do Banco Santos recuperar uma parte dos bens que detinha
e que hoje estão penhorados ou bloqueados por ordem judicial, mas que ainda não
foram transferidos à massa falida. Caso não haja a criação do fundo - que
depende de um aval do Ministério Público do Estado de São Paulo e da
homologação do juiz da falência, Caio Marcelo Mendes de Oliveira, da 2ª Vara de
Recuperação e Falências de São Paulo -, não há qualquer possibilidade de Edemar
recuperar os bens perdidos. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (
O conflito
surgiu quando o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal da Justiça
Federal em São Paulo, determinou o leilão dos bens apreendidos de Edemar com o
objetivo de reverter o valor arrecadado à União. Durante o julgamento, o
Fonte: Valor Econômico – 12.11.09